Stress Ocupacional, qual o papel das organizações?

stress
Stress Ocupacional

Quando se aborda o stress ocupacional em termos de trabalho torna-se possível perceber que além de atual, é um assunto que apresenta um grande impacto social pelas repercussões que pode ter, tanto em termos individuais como organizacionais. A forma de trabalhar e as condições laborais têm-se modificado ao longo dos tempos, existindo cada vez situações mais precárias e instáveis, associadas a um aumento de exigências e sobrecarga sobre os profissionais. Existe, um número crescente de profissionais a experienciar níveis elevados de stress no trabalho.

Pode-se questionar se este não será apenas um problema individual com que cada profissional deve saber lidar. Questionar-se se poderão as organizações ter um papel na gestão do stress dos seus trabalhadores?

A verdade é que sim!

Existem diversas responsabilidades e estratégias que podem e devem ficar a cargo da organização. É importante que cada empresa perceba o quanto é importante manter uma equipa de profissionais saudáveis. Estudos comprovam que profissionais mais satisfeitos, além de mais saudáveis, mostram-se mais criativos, proativos e, consequentemente, mais produtivos (European Agency for Safety and Health at Work, 2013; Oyewobi, Suleiman, & Muhammad-Jamil, 2012). O aumento e a promoção da performance profissional trazem benefícios reais e ativos para a empresa e também para o profissional enquanto ser individual. Um dos primeiros passos em termos de intervenção ao nível das organizações é a avaliação dos riscos psicossociais, sendo que as ações levadas a cabo devem ir no sentido de controlo e eliminação das fontes de stress (Coelho, 2010).

Uma vez que cada programa deve ser adaptado a cada empresa e às suas necessidades deixamos apenas algumas sugestões gerais que pretendem ajudar a fazer a diferença nos locais de trabalho, promovendo o bem-estar e, consequentemente, a satisfação e realização dos diversos profissionais.

Deste modo, propomos como coordenador, gestor ou administrador de uma organização que:
  • Avalie periodicamente os riscos e fontes de stress ocupacional presentes ao nível da organização e equipa de trabalho.
  • Forneça aconselhamento especializado para lidar com as fontes de stress e perturbações adquiridas decorrentes das mesmas.
  • Ouça, sempre que possível, as sugestões que os profissionais referem e tente agir perante as mesmas. As organizações são feitas de pessoas e são as pessoas que melhor conhecem a organização e formas de a melhorar. Valorize-as!
  • Clarifique-os sobre os objetivos e valores da empresa e tente encontrar «paralelo» com os objetivos e metas deles. Esta prática torna-se eficaz na prevenção do stress, essencialmente, por conseguir o envolvimento e participação efetiva dos profissionais.
  • Crie oportunidades de desenvolvimento profissional e ascensão de carreira dentro da dinâmica organizacional. A «busca» de objetivos e metas profissionais motiva e envolve os profissionais nas suas funções laborais.
  • Forneça incentivos e reforços positivos sempre que os objetivos sejam cumpridos.
  • Crie espaços e momentos de formação em áreas de conhecimento lacunares. Profissionais com mais conhecimentos e competências tornam-se mais capazes de lidar com as situações, tornando-se mais motivados, produtivos e eficientes.
  • Promova a aprendizagem permanente e, sempre que possível, no contexto de trabalho. Formações no local de trabalho permitem com mais facilidade a «passagem» da teoria para a prática e a promoção de práticas profissionais mais adequadas. Deixamos algumas sugestões de áreas a estimular: gestão de riscos psicossociais, gestão de tempo e trabalho e gestão de conflitos.

Faça a diferença na dinâmica e bem-estar da sua Equipa!

 

Para saber mais sobre stress ocupacional:

Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (2010). Promoção da saúde no local de trabalho para empregadores? FACTS 93. Disponível em http://osha.europa.eu

European Agency for Safety and Health at Work (2013). Well-being at work : Creating a positive work environment. Luxembourg: Publications Office to the European Union.

Hakanen, J. J., & Schaufeli, W. B. (2012). Do burnout and work engagement predict depressive symptoms and life satisfaction? A three-wave seven-year prospective study. Journal of Affective Disorders, 141(2), 415-424. doi:10.1016/j.jad.2012.02.043

Maslach, C., & Leiter, M. P. (1997). The truth about burnout: How organizations cause personal stress and what to do about it. Califórnia: Jossey-Bass Publishers.

National Institute for Occupational Safety and Health (2006). Stress… at work. Disponível em http://www.cdc.gov/niosh/topics/stress/

Nogueira, P. (2014). TF em stresse: Manual para Terapeutas da Fala. ed. 1. Lisboa: Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala.

Sacadura-Leite, E., & Uva, A. S. (2007). Stress relacionado com o trabalho. Saúde & Trabalho, 6, 25-42.

 

Formações Relacionadas:

Formação Gestão de Stress